Gostaria de avisar que o post de hoje vai ser gigante, então senta que lá vem história.
Escolinha Degrau, Ilhéus – BA, 1993. Segundo minha mãe, quando eu tinha 5 anos de idade, na época da formatura da alfabetização, inventaram uma história na escola de que cada formando tinha que ir pra a cerimônia vestido com a profissão que queria ser quando crescesse. Eu entrei em parafuso, porque não sabia o que queria ser (na verdade queria ser muitas coisas ao mesmo tempo), e acabei escrevendo a história de uma menina indecisa que não sabia o que queria ser quando crescesse (dá pra ler o livrinho aqui, em pdf). Escrevi e ilustrei, e a mãe coruja resolveu o problema dizendo “pronto, vai ser escritora!”, e no dia da formatura, lá estava eu, toda pimpona, fantasiada de nada (porque né, cigarro, café e máquina de escrever seria uma fantasia levemente inapropriada pra uma criança de 5 anos), com o livrinho na mão.
Corta pra Recife, 2011. Cá estou eu, cursando a cadeira mais fofinha e feliz da UFPE, Artefatos Narrativos, com foco em livros infantis. O trabalho final consiste, obviamente, num livro infantil. É lógico que não dava pra sair outra coisa: edição comemorativa de 18 anos do livro “O que vou ser quando crescer?”
Mantive a história original, com algumas pequenas alterações, e quis usar a mesma caligrafia de criança, porque acho minha letrinha de 5 anos muito fofa <3. Mas as 13 ilustrações nasceram do zero, e foram a parte mais divertida do trabalho. Aqui vão algumas:
Esse projeto foi o responsável pela minha reconciliação com o lápis e o papel. Sempre que surgia uma idéia legal de como resolver uma ilustra, eu tirava o moleskine da bolsa e começava a rabiscar, foi assim com quase todos os desenhos. Só os 2 últimos é que foram feitos direto no Illustrator, porque tinham muitos elementos parecidos, dava pra copiar cabelo, roupa, etc. Eu queria muito ter finalizado os desenhos em aquarela, mas o tempo era curto (cerca de 1 mês pra o projeto inteiro).
Depois de todas as páginas prontas, surgiu outro dilema: como imprimir? As gráficas rápidas de Recife são bem pouco confiáveis em termos de qualidade, especialmente na impressão de áreas chapadas, e iam me cobrar uma fortuna pra imprimir o livro nas dimensões que eu queria, 20 x 20 cm. A solução? Papéis ColorPlus escandalosamente lindos da PaperBy, impressão caseira na e letrinhas brancas cortadas à mão nas páginas escuras (é uma ótima terapia, passei uma tarde inteira só nisso). E ainda deu pra fazer umas frescurinhas com glitter em algumas páginas
As aulas de encadernação artesanal finalmente serviram pra alguma coisa, e voilá, livro pronto às 4h da manhã do dia 29 de junho, data da entrega do trabalho (porque se não terminar em cima da hora, não tem a menor graça, né)
Mas vocês pensam que acabou? Minha mamãe querida já está correndo atrás de editoras “de verdade” pra publicar minha história. Só é uma pena ter que tirar o sÃmbolo da Linoca Books da capa, hehehe.
Dá pra ler o livro em pdf aqui, versão sem glitter.










Ah, a gente pode deixar o Linoca Books, com a permissão da editora… eu acho!!! huahuahuahua
Adorei a parte do “fantasiada de nada”, mas na verdade isso foi um alÃvio para os meus bolsos cansados, na época!!!
Ri muito de lembrar de tudo agora… mas tem a parte que sua vovó querida fez a 2a. edição, qdo vc tinha 15 anos. Essa, de fato, é a 3a!!!
Eu quero uma versão dessa manual, com glitter e tudo que me é de direito!!!
vai sonhando… vc pode ver e passar a mão quando vier aqui em Recife, e só, esse é meuuuuu
*.*
Pingback: De cara nova |
Eu quero, autografado e tudo!
Pingback: pedalando | linoca desenhando!
Pingback: 2012 – random thoughts | ela também diz Ni!